A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido.
Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio.
Fernando Pessoa
Ensinar é uma atividade genial e consequentemente uma atividade de loucos! … e assim é a Vida também!
Apaixona-me o ensino e encantam-me a loucura e os loucos!
E antes que me mandes internar em psiquiatria eu apresso-me a explicar, refiro-me aos loucos pela Vida, aos loucos por conhecimento, aos loucos por compreender, aos loucos por crescimento, aos loucos por experienciar e partilhar, aos loucos por autoconhecimento e autossuperação… enfim todos os que ousam loucurar-se e louca e apaixonadamente Vivem!
Içar a bandeira do ensino (independentemente da área do saber) requer acima de TUDO e ANTES de mais, GOSTAR genuinamente de pessoas!
Requer afeto, aceitação, honestidade, transparência, acreditar na Humanidade e no seu potencial de crescimento e superação, exige de nós empatia genuína, olhar no mais profundo daquele olhar e ver a potencialidade que ali reside (ainda que encoberta por alguma misteriosa neblina…).
Transmitir conhecimento exige que nos desnudemos, convida-nos a colocarmo-nos a descoberto, sem reservas, sem trunfos escondidos, sem cartola substituindo o coelho branco pela Fénix!
Ensinar desafia-nos a despojarmo-nos totalmente de preconceitos, rótulos e estereótipos, e aceitar profunda, genuína e completamente o Ser, o saber, a vivência, a história e a experiência, o caminho percorrido, as paragens, as escolhas e os dilemas, os receios e anseios, enfim o momento e o tempo do outro. O outro é o foco, é o epicentro da ação na sua totalidade, singularidade e complexidade independentemente da minha experiência, objetivos ou tentadoras expectativas.
Ensinar é para os atrevidos! … pois exige uma incomensurável dose de coragem e ousadia!
Ensinar é a exposição natural, total e absoluta do Ser que, sendo um glutão de conhecimento tanto humano como teórico, empírico e cientifico, aceitou ser um transmissor – professor – formador e que apesar disso aceita colocar-se à prova, tanto de si como da sua experiência e validade do seu conhecimento e sabedoria.
Ensinar é viver neste e deste tumultuo dialético e dinâmico imposto pelo ‘?’, pelo questionamento, pela critica e pela dúvida. Assumir a dúvida como mestre, como bússola, questionando permanente e insistentemente a validade e utilidade do que aprende, tendo a certeza consciente que a única coisa permanente na Vida é a própria impermanência da Vida e de tudo o que ela contém… reconhecendo essa inesgotável incubadora de crescimento e revelações.
Pressupõe a viagem ascendente na espiral dinâmica de aprender-ensinar-aprender-ensinar (e assim sucessivamente) entre o que ensina (e no qual se aprende) e o que se aprende, depende da postura de curioso aprendiz, depende da necessidade e encanto de levantar questões, de nos autoquestionar-mos, de nos adaptar-mos, de nos atualizar-mos, de estudarmos e mais do que olhar, vermos criticamente, aprendendo e crescendo um pouco (ou mesmo muito) a cada dia, a cada experiência na exata medida da nossa abertura ao novo, à reformulação, ao exigente movimento continuum de reciclagem.
A arte de ensinar requer três ferramentas:
- a tela da reformulação de questões;
- o pincel da dúvida;
- e a aguarela da critica
… face ao que está instituído e ao que se julgava como certo e absoluto.
Aparentemente isto causa o caos, mas é da luz causada por esse caos que nascem novas estrelas, que se descobrem novos caminhos que se pintam novos quadros e assim… “o mundo pula e avança como bola de cristal nas mãos de uma criança”, assim lapidamos e partilhamos a Pedra Filosofal e o poder natural alquímico de transmutar trevas em Luz ou pedra em ouro puro!
Em cada relação de ensino – formação, expomos e que sabemos, o que Somos e ainda o que desconhecemos nesta espiral aprendizagem – ensino porque nunca estamos completos, porque o Universo continua e continuará a desvendar-se em nós, por nós e através de nós!!
Ensinar é para os loucamente apaixonados pela Vida !!!
Sim, porque
“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”
Nietzsche
Porque só se aprende pelo exemplo e pela demonstração, só se ensina a amar, amando, só se ensina a dar, dando, só se ensina a fazer, fazendo, só se ensina a ensinar, aprendendo e ensinando…
SIM SOU apaixonadamente professora – formadora!
Ergue comigo o teu Santo Graal e brindemos a esta força louca, transformadora, criativa e criadora que é… ENSINAR!
Txim, TXIM!
Hoje deixo-te um louco Abraço Colorido e Luminoso 😀
Adélia Ribeiro

